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Saímos às 9 horas da Curva da Jurema para aproveitarmos a maré subindo na hora que estivéssemos entrando no canal de Camburi. Essa estratégia é fundamental para que não haja esforço para vencer o canal e não corramos o risco de cair no rio de merda que é o canal no momento da vazante. Passar pelo canal no momento da enchente nos dá tranqüilidade e não sentimos cheiro de esgoto.
Paulo Randow, Maria Fernanda e Antônio Miguel Jr.
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Muitos foram convidados, mas poucos os disponíveis nesse feriado
Preparação para partida - Caiaque oceânico "A Sereia e o Poeta"
Logo na saída enfrentamos o vento nordeste forte ao cruzarmos a praia do Canto e contornarmos a península do colégio Sacré-Couer de Marie, depois o vento nos empurrou rumo ao canal de camburi, somando força com a maré enchendo. Como se diz: foi como deslizar na manteiga
10:50h - Bairro Maria Ortiz - Parada para lanche após atravessarmos o canal de camburi e contornar o manguezal atrás da UFES.
Trajeto da primeira etapa até o Bairro Maria Ortiz
Nesse momento tínhamos remado 9 km com média de 5 km por hora.
Logo a seguir enfrentamos um pouco de vento norte ao atravessar o manguezal que contorna a ilha na parte norte. Acredita-se que é o maior manguezal em área urbana do Brasil.
Ponto de parada ao completar 15 km, às 13 horas. Ponta de pedra perto da ilha das Caieiras
Trajeto da segunda etapa até perto da Ilha das Caieiras
Um visual magnífico no Mestre Álvaro
Companheiro de travessias
Repondo as energias
Retorno aos remos com o vento nordeste empurrando e a correnteza da vazante ajudando
O visual da ocupação desordenada do entorno da ilha deixa uma sensação desagradável. Mas a alegria da pessoas tomando banho e curtindo a vida na baia de Vitória nos dá conforto. O corpo dessas pessoas parecem estar imunizadas contra o alto índice de coliformes fecais na água.
Alegrias para quem tem o corpo imunizado
Uma visão surpreendente ao avistar o bairro Santo Antônio
Ao longe, o Santuário de Santo Antônio se destaca com suas abóbadas prateadas.
Júnior foi salvo pelo protetor solar que levamos e a borracha para suas costas, que a Maria Fernanda usa para o assento no "A Sereia e o Poeta" Um bom momento para tirar fotos de nós
Situado sobre uma elevação, o Santuário de
Santo Antônio proporciona uma magnífica vista da parte oeste da baía de
Vitória. O Santuário é uma
imagem imponente, constituindo-se num dos mais belos cartões postais da
ilha. Fonte: http://sistemas.vitoria.es.gov.br/ecbh/dtpathis.cfm?dt=M&id=12
Logo depois, a 2ª Ponte surge convidando para a travessia
Visão que nos toma o espírito de assombro, diante da obra humana
Transpondo a 2ª Ponte, surge a Ponte Florentino Avidos "Cinco Pontes"
Ela está em reforma, e deve ficar linda, como merece, pelos serviços prestados a população de Vitória por dezenas de anos
Fonte:
http://www.sedit.es.gov.br/noticias/ponte-2/ Logo depois surge a imponência dos rebocadores e navios O jato de água é para esfriamento dos cabos multifuncional fabricados ao lado do porto e enrolados no navio que os levarão para as plataformas de petróleo
Logo adiante surge a Plataforma P34 que está em reforma no porto
Passando pelo centro de Vitória, chegamos ao Clube Saldanha da Gama onde fizemos a terceira parada para descanso, ao atingirmos 25 km de travessia, às 15 h.
Na terceira parada, o Júnior estava exausto, pois seu caiaque não é adequado para grandes travessias, além de ser simples. A vontade dele era de parar ali, e pegar um táxi para buscar o carro. Fui até o posto de gasolina próximo e comprei Gatorete, água mineral e chocolate, e após 30 minutos de descanso o ânimo voltou e partimos. A visão da Caravela Espírito Santo alegrou a Maria Fernanda, filha do português Fernando Gomes. Ficamos a rir lembrando do local no alto do mastro, onde ficava o marujo a informar o que via ao longe. Esse local no barco se chama "Caralho" e é onde mais balança, tornando um verdadeiro castigo ir "para o Caralho". Com o tempo, a frase repetida pelo capitão da caravela e temida por todos, se tornou símbolo de outra coisa.
Resolvemos seguir adiante sem parar no cais atrás da Capitania dos Portos. Todos com muita animação, vendo a imponente 3ª ponte adiante, sem imaginar o sufoco que viveríamos adiante. Ondas de mais de 3 metros surgiam a nossa frente e o caiaque oceânico "A Sereia e o Poeta" seguia a frente com sua capacidade de transpor facilmente altas vagas, com seus 6 metros de comprimento e centro de gravidade abaixo da linha d´água. Ficamos preocupados com o Júnior que vinha metros atrás, e quando Maria Fernanda olhava para encontrá-lo, as longas vagas impediam de avistá-lo, o que lhe deixava preocupada. A corrente da vazante da maré, mais o vento nordeste forte, produzia um movimento bonito e intenso de ondulação, onde a correnteza nos ajudava a vencer o vento. Os paredões da ponte nos fazia sentir minúsculos, mas a fibra de Maria Fernanda e a minha experiência em longas travessias, nos fizeram superar com facilidade. Mais tranqüilos ficamos quando ao cruzar a ponte e entrar no remanso atrás da Ilha do Boi, avistamos o caiaque com o Antônio Miguel Jr. chegando ao remanso logo atrás de nós.
Uma foto para lembrança de mais um feito. Esses feitos é que enobrecem a nossa vida, e nos deixam a certeza de que logo mais teremos outra travessia a realizar.
Chegamos às 16:30 h. Estamos prontos para preparar o projeto "Volta da Vitória" e entregar a Prefeitura de Vitória para que seja realizado anualmente um grande evento de contorno da ilha, a Ilha do Mel, da cidade Presépio do Brasil.
Na próxima travessia, esperamos contar com a Bia, o Caio e o Vitor, para dar apoio moral ao Antônio Miguel Jr.
Os índios chamavam a Ilha de Vitória de Guanaaní ou "Ilha do Mel" pela beleza de sua geografia e amenidade do clima com a baía de águas viscosas e manguezal repleto de moluscos, peixes, pássaros e muita vida.
Prepare o espírito e o caiaque, e
venha fazer essa travessia que marcará sua vida e te fará amar ainda mais
essa ilha.
Por Paulo Randow Atenção! Se você for fazer essa travessia, consulte a Tábua de Marés no site da Marinha - Clique aqui Escolha um dia em que você possa subir o canal de Camburi com 3 horas antes da maré alta. Não faça o contrário, ou seja, não siga pelo centro de Vitória para sair no canal de Camburi, na chegada. Cruzar o canal de Camburi na maré vazando é um risco sério, com o esgoto intenso e a correnteza sob a ponte da passagem, próximo a UFES criando uma corredeira, com pedras da construção da ponte. Já temos conhecimento de canoeiro experiente que caiu nesse ponto e teve infecção intestinal grave. Se você subir com a maré 3 a 4 horas do alto, vai passar por debaixo da ponte com tranqüilidade.
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por Maria Fernanda Gomes Dia dois de outubro de 2006, feriado de finados bem atípico para tal, pois o dia estava lindo convidando para a volta da Vitória. Colete Salva Vidas, protetor solar, boné, lanche, água e um mp3 com um som básico para o momento. E não podia me esquecer do nosso companheiro de aventuras, "a sereia e o poeta", o nosso caiaque oceânico. É a primeira vez que me disponho a realizar um percurso tão longo. O mais longe que tinha remado foi 22Km, que foi a descida do Rio Jucu e 21 Km a travessia da Lagoa Juparanã de norte a sul, mas resolvi me lançar e pensar só em curtir a paisagem sem pressa de chegar. Nove horas da manhã, hora de partir, a hora certa. Fomos em três eu, Paulo e Junior (gente fina). No mar me encanto com tudo. Sou mineira e só agora a vida me trouxe a oportunidade de conviver com o mar bem de perto. Tudo que diz respeito a esse universo é novo para mim, portanto fico o tempo todo atenta ao que pode aparecer depois de cada remada. A praia do canto encanta pela cor verde esmeralda de suas águas. Logo na frente uma arraia de tamanho médio salta das águas. Para mim é uma festa. O vento nordeste começa a bater forte, esse é um linguajar que não existia em meu vocabulário, pois para mineiro não importa de onde vem o vento, simplesmente não influi em nada para a gente. Esse negócio de vento sul e nordeste estou tendo que aprender ainda, tenho que ficar imaginando o mapa do Brasil para me posicionar e saber de onde vem o vento. Mas isso é mamão com açúcar, porque mineiro não é bobo. Continuando, o vento nordeste batia forte e a remada ficava difícil. Paulo chamava minha atenção de vez em quando pois eu perdia a sincronia e aí começávamos novamente no um, dois, um, dois, um, dois. Logo mais a frente uma surpresa, duas tartarugas passando na nossa frente, pena que eram de médio porte, mais ainda me esbarro com uma dessas gigantes. Prestes a chegar no canal de Camburi o vento começa a nos dar uma forcinha, melhorando o nosso desempenho. A sensação é uma delícia, é como se alguém à todo momento nos desse um empurrãozinho. Após passar debaixo da Ponte da Passagem o GPS marcou nossa velocidade máxima de 8,5 Km/h, devido a força da correnteza. Nesse ponto vemos muitos pescadores. Um gringo grita lá de cima da ponte para remarmos mais rápido, ele não sabia que faltavam ainda mais 27 km para remar. Á todo momento somos surpreendidos com peixes pulando para fora da água. São peixes de todos os tamanhos, tem hora que pulam cardumes. É muito legal. Começamos a entrar na região de mangues que eu acho encantadora. Água salgada e água doce se misturam dando origem a aquele novo ecossistema. Raízes retorcidas, bastante lama, caranguejos, garças e outros seres ali vivem em harmonia. Foram 10,8 km de mangue, um terço do nosso percurso. Esse pedaço foi um pouco chato de fazer porque o cenário era o mesmo, mas aproveitamos para bater papo enquanto remávamos e combinarmos de nos encontrar no sábado em Nova Almeida para brincarmos com o jet ski do Junior. Finalmente a nossa primeira parada no bairro Maria Ortiz. Eu quis comer alguma coisa, mas Junior e Paulo preferiram comer na próxima parada. Tinha preparado uns brioches com maionese e mussarela e acondicionei em uma vasilha de sorvete. Cheguei à conclusão que o melhor que tenho a fazer é comprar uma frasqueira térmica para esses tipos de travessia, para manter o lanche e a água em uma temperatura agradável. Após uns quinze minutos continuamos o nosso passeio enfrentando um pouco de vento. Após completarmos 15 Km, metade do percurso, fizemos mais uma parada que foi em uma pedra perto da Ilha das Caieiras. Deste ponto é possível avistar o Morro do Mestre Álvaro que nos impressiona pela sua grandiosidade. De volta aos remos, nos deliciamos com a maré baixando e o vento nos empurrando. De longe já é possível avistar o Santuário de Santo Antônio que se destaca pela sua cor prateada e que lembra aquelas construções romanas. É um contraste muito grande, uma construção deste porte em meio a residências simples. Junior grita que um peixe pulou no caiaque dele. Eu fiquei toda empolgada querendo ver o tamanho do peixe. Fico torcendo para um peixe pular dentro do meu caiaque, mais ainda não tive esta sorte. Ele se aproxima para mostrar o peixão que ele tinha dito e que na realidade era um peixinho, bem inho mesmo. Mas faz parte da brincadeira. Já no bairro Santo Antônio, devido a maré mais baixa, é possível sentir o cheiro ruim do esgoto nas águas o que nos deixa entristecidos devido ás diversas alternativas de tratamento de esgotos que existem e as pessoas desconhecem. A ONG Alma do Rio trabalha com esse tema e sonha que um dia possamos nadar e remar tranqüilos nessas águas. A ONG deseja mudar a cultura das pessoas através da conscientização e apresentação de soluções simples para o problema dos esgotos. Mais a frente nos surpreendemos com o tamanho da segunda ponte e das Cinco Pontes. Depois de remar esse
pedaço do percurso começamos a ter contato com os imensos navios da
Petrobrás e outros mais. São enormes. Nos tornamos formiguinhas quando
estamos diante deles. Lá em cima é uma parafernália danada. Chega a ser
difícil saber onde é a frente do navio. Ali simplesmente parece ser um
mundo, onde outras formiguinhas como nós, vestidas de alaranjado
trabalham. O vento batia forte e nos aproximávamos do Penedo, já estávamos
exaustos precisávamos parar. Resolvemos parar em frente ao Clube Saldanha
da Gama. Junior estava sentindo dores em várias partes do corpo e não
sabia se iria agüentar, visto que o vento não estava nos ajudando e como
ele estava remando sozinho e o caiaque dele não era muito apropriado para
este tipo de travessia, dificultava mais ainda. Paulo resolveu comprar
Gatorade, água e chocolate e depois disso começamos a retomar nossas
forças. Junior se sentiu melhor e resolveu encarar o restante da volta.
Logo após trinta minutos de descanso decidimos pegar nos remos novamente. Olhava para os pilares enormes da ponte e não via uma escadinha sequer para servir de apoio caso o caiaque tombasse. Olhava para as pedras das rocas da Praça do Papa e via que era impossível subir ali com as ondas. Por um momento um certo desespero bateu. Desistir ali seria impossível, pois uma manobra no caiaque poderia tombá-lo, então o jeito foi seguir em frente. Remei, remei e remei na base do um, dois, um, dois. Finalmente conseguimos passar o sufoco e alcançamos o remanso atrás da Ilha do Boi. Olhei para trás e avistei Junior o que me deu um enorme alívio. Superar o sufoco foi muito bom, estava me sentindo nas nuvens naquele momento e com a sensação de missão cumprida e consciente de que com a natureza não se brinca. Ventos são muito traiçoeiros, eles podem te ajudar ou te ferrar. Na verdade a situação que passamos não era de risco, já que estávamos em uma embarcação apropriada e com salva vidas, entretanto para uma pessoa inexperiente poderia ser fatal. Fiquei super feliz por ter dado tudo certo. É uma travessia muito bonita. Só foi possível fazê-la porque antes havíamos planejado e estudado o percurso através da consulta a tabela de marés, vento e condições do tempo. Chegamos a conclusão que para o evento a Volta da Vitória será melhor parar antes da Terceira Ponte para evitar situações desagradáveis. Depois de um dia após o evento fico feliz por não sentir dores e não ter um calo na mão,acho impressionante. A canoagem é um esporte super light. Posso dizer que já estou pronta para mais uma travessia. |
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