Um sonho desde menino a ler livros sobre a
Pororoca, a floresta mágica, o rio gigante. A realização deste sonho que nos faz
grande, mas que nos mostra a nossa pequenez diante de um mundo completamente
diferente do nosso. Foram 1.650 km descendo o maior rio do mundo em extensão e
em volume d'água, mesmo que alguns livros desatualizados ainda coloquem o rio
Nilo como o maior em comprimento, já é sabido desde a década de 80 que Jacques
Cousteau encontrou uma nascente do Amazonas mais distante, tornando-se assim
também o maior em percurso da sua nascente até sua foz. Um rio superlativo, onde
vive o jacaré-açu (açu=grande em tupi-guarani), o peixe-boi, o boto-rosa, o
tucuxi, o tambaqui, o pacu, o pirarucu, a sucuri, e toda a diversidade de vida
vegetal e animal. Sem contar os inúmeros fungos, bactérias e vírus, a
desafiar-nos com seus segredos e riscos. Assim, a Amazônia nos encanta e
assusta, nos faz grandes e pequenos, numa mostra constante de contrastes que
toca a alma do pensador, do sonhador, a conviver com pessoas tão simples e
alegres, que nos permite questionar qual o sentido de nossa vida urbana na selva
de arranha-céus.
Eis aqui um pouco de nossa expedição que
durou 10 dias. Esperamos que você se sinta convocado por sua alma a seguir esses
passos, ou a ousar ainda mais o que não fomos capazes de ousar nesse primeiro
contato com a Amazônia.
Por Paulo e Maria Fernanda Randow
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Essas fotos foram tiradas da varanda do quarto do hotel Amazon
suit em Manaus que tem vista para o porto, onde passa o rio Negro.


Esse é o Mercado Municipal, onde funciona um centro de
comercialização de produtos típicos do Amazonas.
Nessas duas primeiras fotos pode ser vista a
baía do rio
Negro, na praia de Ponta Negra caracterizada por suas águas escuras. Destaque
para a barraca de vendedores de passagens de barco, de frente para o Mercado
Municipal, onde se consegue comprá-las a preços melhores.

Esse primeiro barco está levando pessoas para curtirem a praia
de Tupé no domingo, com direito a muita música e animação. Sai cedo e só volta
no final do dia. O segundo barco é
o Comandante Paiva que nos levou para Parintins. Logo na saída foi abordado pela
lancha da Marinha para uma vistoria de rotina.

O navio Comandante Paiva nos impressionou pela sua limpeza,
organização e simpatia da tripulação. É servido café da manhã, almoço e jantar
para os passageiros. Não se esqueça de comprar sua rede, pois não é
oferecida nos barcos. Em qualquer cidade a oferta de redes é imensa, e variam de
R$ 15,00 a R$ 180,00.

Essa primeira foto é de um posto de
combustível que atende os navios e barcos
que navegam os rios. Nessa última foto você pode ver o encontro do rio Negro com o
rio Solimões, é nesse encontro que inicia o rio Amazonas. Como ele é o rio que
chegará ao mar, ele dá nome para toda a bacia, ou seja, todos os afluentes que
alimentam com suas águas o rio Amazonas. A nascente mais distante, o menor fio
de água que brota da terra e que é batizado por outro nome, por alimentar um
córrego, depois um riacho, até que chegue a um rio, será considerada a nascente
do rio Amazonas. Se alguém descobrir uma outra nascente que percorre maior
distância até o mar, torna-se essa nascente a nascente do rio que dá o nome à
bacia.
Observe
na primeira foto a quantidade de vegetação flutuando, trazidas pela
correnteza do rio Solimões, que chega ao encontro das águas com o rio Negro com
uma velocidade média de 7 km por hora, após ter retirado muitas árvores e
barrancos das suas margens. O rio Solimões possui muitas de suas nascentes nas
partes altas da cordilheira dos Andes, e depende do degelo no período de calor.
Já o rio Negro, com suas águas ricas em lanolina originadas da decomposição de
folhas que caem constantemente nos igarapés, surge principalmente de áreas
baixas e depende mais das chuvas constantes na região, devido a evapotranspiração da floresta amazônica, e sua velocidade no encontro das águas
próximo de Manaus é de 2,5 km por hora em média. Devido a composição das águas
do rio Solimões ser mais densa do que as águas escuras e cristalinas do rio
Negro, associado a maior velocidade do rio Solimões, promovem o fenômeno da
divisão das águas barrentas de um lado, e negras do outro, o que ocorre por
cerca de 7 km de extensão, sendo o rio Negro empurrado para a margem norte do
rio Amazonas devido a força das águas do Solimões.


Chegada ao porto de Parintins, cuja
estrutura flutuante está fundeada numa profundidade de 120m através de oito
âncoras de oito a trinta toneladas, reguladas automaticamente por possantes
motores através de grossas correntes. Este é o ponto mais profundo do rio
Amazonas segundo estudos do Ministério dos Transportes.
Parintins é a cidade da festa do boi
Caprichoso de cor negra e estrela azul na testa (primeira foto) e boi Garantido
de cor branca e coração vermelho na testa (segunda foto), que acontecem em final
de junho e início de julho. A cidade se divide em duas áreas, uma com adornos
azuis nas ruas e casas e outra com adornos vermelhos. Atualmente, ocorre de
algum morador ser torcedor da outra equipe e coloca algum detalhe da cor
contrária. O sr. Porrotó, um dos remanescente dos fundadores do boi bumbá em
Parintins, afirma que até pouco tempo, não havia moradores de uma zona da cidade
que era torcedor do outro grupo. É muito comum ver os triciclos e moto táxi
pelas ruas de Parintins carregando pessoas e mercadorias para vários lugares.

O barco Deus Proverá nos levou até
Santarém. É um navio um pouco maior que o Comandante Paiva. Os passageiros
almoçando e a organização de redes.



Imagens do percurso até Santarém e parada
para fiscalização da polícia federal e IBAMA. Veja as barcaças com carretas
sendo transportadas. Elas são empurradas por rebocadores que chegam a descer com
3 barcaças amarradas em seqüência. O piloto fica numa cabine bem alta. Um dos
perigos para as embarcações são os trocos e árvores inteiras, trazidas pela
erosão provocada pelo rio Solimões.


Esse banner é uma foto da praia do Depósito
em Alter-do-chão que fica a 30 Km de Santarém. Ela é formada pelo rio Tapajós
caracterizado pela sua coloração esverdeada e transparente, atingindo outras
colorações também. Nessa época do ano só é possível visualizar a cobertura dos
quiosques, devido a cheia do rio. Nele podemos ver muitos botos como o Tucuxi e
o Boto Rosa que são a marca da festa na cidade. A serra Piroca é um dos pontos
onde se pode avistar uma parte da extensão do rio Tapajós, Alter-do-Chão e
Santarém.

O Amazon Star nos levou de Santarém a
Belém. Foram dois dias de viagem a bordo de um navio com capacidade para 850
pessoas e 80 mil toneladas de carga. O navio oferece ar condicionado na primeira
classe, camarotes e no último andar tem chuveiros para tomar banho de água do
rio.

Imagens do rio Amazonas e parada na
Hidroviária Municipal de Gurupá. Crianças aproveitam para vender salgados dentro
do barco.


No caminho nos deparamos com crianças ou
mães e filhos, ribeirinhos que remam em pequenas canoas até o navio em busca de
algum presente ou donativo por parte dos passageiros. Esse ritual já é conhecido
e a todo momento se vê uma canoa se aproximando no trecho da região da Ilha de
Marajó, nos canais que vão ligar o rio Amazonas ao rio Pará.

Algumas crianças remam até o navio e
através de um arpão que é chamado por eles de "s", atracam nos pneus que ficam
amarrados ao navio. Ali, meninos e meninas aproveitam para vender produtos da
região como palmito extraído da palmeira do açaí, pupunha e outras frutas da
região.
Das dez horas da manhã até as dezoito
horas, presenciamos constantemente as canoas com crianças ou adolescentes que
pediam ou vendiam suas mercadorias.


As casas dos ribeirinhos na região dos
furos da Ilha de Marajó são construídas geralmente ao lado de um pequeno
igarapé, pois com a elevação das águas sobre a influência das marés, os peixes
entram nos igarapés e quando a maré abaixa, ficam presos em redes ou cercas
colocadas no início da vazante pelos ribeirinhos. Assim, todos os dias, com a
subida e descida da maré, o peixe fresco para a alimentação está garantido. A
água salgada do mar não entra na região dos furos, mas represa a água do rio
Amazonas ou do Pará, promovendo a alteração do nível da água. Alguns ribeirinhos
plantam 365 pés de mandioca, e com a retirada da mandioca do dia, replantam o pé
cortando um dos galhos novos, assim, garantem a cada dia a farinha para comer
com o peixe, junto com as frutas abundantes na região, como o buriti, a pupunha,
o ingá e o açaí.

Imagens do rio Pará, redes guardadas e
chegada a Belém. Uma curiosidade que nos contou o Comandante do Navio Amazon
Star, Sr. Raimundo: a chegada na baía da Ilha de Marajó, no rio Pará, é sempre
uma apreensão para os passageiros que chegam a Belém, pois devido a influência
do mar nos meses de setembro a fevereiro, com a época das vazantes dos rios
Amazonas e Pará, ocorrem ondulações vindas do mar que fazem o barco balançar,
sendo isto uma novidade para muitos, acostumados com a tranqüilidade das águas
dos rios. O nível do mar em Belém varia em 3 metros e oitenta centímetros,
devido sua proximidade da Linha do Equador, que sofre maior influência da força
gravitacional da Lua e do Sol. Para uma comparação, na região do RJ e ES o nível
do mar varia até 1 metro e 70 centímetros.
