Alma do Rio

Alma do Rio Doação do IR Textos Bacias Hidrográficas Biofossa O Rio Doce Projeto de Lei 367/2006 Granito Dicas de Canoagem Livreto s/Pecuária Miss Ecologia 2006 Notícias Classificados

 

Doação do IR Textos Bacias Hidrográficas Biofossa O Rio Doce Projeto de Lei 367/2006 Granito Dicas de Canoagem Livreto s/Pecuária Miss Ecologia 2006 Notícias Classificados

 

Palestras em São Roque do Canaã sobre sacolas oxibidegradáveis

 

O ambientalista Paulo Randow ministrou palestras em São Roque do Canaã nos dias 5 e 6 de maio, atingindo um público de mais de 600 pessoas, sendo a maioria alunos de 5a série ao 3o ano, para conscientização sobre a Lei 8.745/07 que obriga o comércio capixaba a utilizar sacolas plásticas oxibiodegradaveis.
Foram 6 palestras em escolas e no ginásio de esportes do Clube ABC, organizadas pelas Secretarias de Meio Ambiente e de Educação.
Randow abordou a importância do plástico, sua utilização para uma infinidade de produtos, sua função de diminuir o peso das embalagens, sua capacidade de impedir a proliferação de insetos e roedores, de sua capacidade de isolamento térmico, acústico, elétrico, etc.
Deu ênfase fundamental ao fato de ser o plástico uma descoberta que minimizou o impacto sobre os recusos naturais, em substituição ao ferro, alumínio e também a madeira.
"Imaginem quanto já haveríamos destruido da floresta amazônica se continuássemos a utilizar somente madeira para fazer mesas, cadeiras, etc. O plástico barateia os produtos e ainda permite que utilizemos os minerais de fácil moldagem, como o alumínio e o ferro, para finalidades mais nobres", afirmou o ambientalista.

Discurso do Ministro Brasileiro da Educação nos EUA
 

Este discurso merece ser lido, afinal não é todos os dias que um brasileiro dá um 'baile' educadíssimo aos Americanos.

Durante um debate numa universidade dos Estados Unidos o atual Ministro da Educação CRISTOVAM BUARQUE foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia (idéia que surge com alguma insistência
nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros) .

Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro. Esta foi a resposta de Cristovam Buarque :
 

'De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso.
Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não seu preço.
Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país.
Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França.
Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.
Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os acuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.
Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.
Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro.
Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa.
Só nossa!'
 

Vacas causam mais mal ao meio ambiente do que carros

O setor pecuarista é um dos principais responsáveis pelo efeito estufa no mundo e é mais nocivo que o dos transportes, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). "O setor pecuarista gera mais gases de efeito estufa, os quais ao serem medidos em seu equivalente em dióxido de carbono (CO2) são mais altos que os do setor do transporte", sustenta a entidade da ONU.
A pecuária não só ameaça o meio ambiente, mas também é uma das principais causas da degradação do solo e dos recursos hídricos, acrescenta a organização, cuja sede fica em Roma.

Segundo o relatório da FAO, o esterco é responsável por boa parte das emissões de gases de efeito estufa. "O setor pecuarista é responsável por 9% do CO2 procedente de atividades humanas, mas produz um percentual muito mais elevado dos gases de efeito estufa mais prejudiciais", acrescenta o relatório.

"Gera 65% do dióxido nitroso de origem humana, que tem 296 vezes o Potencial de Aquecimento Global (GWP, na sigla em inglês) do CO2. A maior parte deste gás procede do esterco", dizem os especialistas.

Para a FAO "é preciso encontrar soluções urgentes". Para Henning Steinfeld, um dos autores do estudo e chefe da subdireção de Informação Pecuarista e Análise e Política da entidade, a cada ano a humanidade consome mais carne e produtos lácteos, o que acaba afetando gravemente o meio ambiente.

"O custo ambiental por cada unidade de produção pecuária tem que ser reduzido pela metade, apenas para impedir que a situação piore", advertiu o documento.

O setor pecuarista é o meio de subsistência para 1,3 bilhão de pessoas no mundo e supõe 40% da produção agrícola mundial. Para muitos camponeses pobres dos países em desenvolvimento, o gado também é uma fonte de energia como força de tiro e uma fonte essencial de fertilizante orgânico para as colheitas.
 

     

     

     

     

   

 

Floresta Amazônica

Fonte: www.ema.com.br/portugues

É a maior Floresta Tropical Úmida do planeta, considerada por muitos como o "pulmão do mundo" . Ocupa 38,5% do território nacional e sua superfície é de, aproximadamente, 3.300.000 km2 , compreendendo os estados do Maranhão, Pará, Tocantins, Amapá, Amazonas, Acre, Roraima, Rondônia e Mato Grosso. Possui três tipos de vegetação, classificadas de acordo com a proximidade em relação aos rios:
• mata de igapó: floresta submersa, permanentemente alagada pelos rios. Ex.: vitória-régia;
• mata de várzea: mata de inundação temporária, de composição vegetal variável. Ex.: seringueira, jatobá e maçaranduba;
• mata de terra firme: ocupam a maior parte da região e não são inundadas pelas cheias dos rios. É uma formação densa, úmida e escura (a copa das árvores forma um telhado que pode reter até 95% da luz solar). Ex.: castanha-do-pará, caucho e guaraná.
Também é considerada a mais rica em biodiversidade: em uma área de 2km2 de mata chegam a ser encontradas 300 espécies vegetais diferentes.

FONTES
• Almanaque Abril
• Geoatlas
• Floresta Brasil Site (www.florestabrasil.com.br)
• Estudaweb Site (www.estudaweb.hpg.com.br)
• Site Oficial do Governo Brasileiro (www.brasil.gov.br)

Mata Atlântica ou Florestas Costeirais

Originalmente cobria cerca de 1.000.000km2 do território nacional, desde a costa do Rio Grande do Norte até o Rio Grande do Sul. Continua ocupando a faixa costeira do litoral brasileiro, mas sua superfície diminuiu bastante: 120.000km2, concentrando-se na região Sudeste. Reúne formações vegetais diversificadas e heterogêneas, são matas fechadas com árvores altas. As pricipais espécies encontradas são: ipês, palmiteiros, quaresmeiras, cedros, canela, imbaúba. É a mais devastada das florestas brasileiras.

FONTES
• Almanaque Abril
• Geoatlas
• Floresta Brasil Site
(www.florestabrasil.com.br)
• Estudaweb Site (www.estudaweb.hpg.com.br)
• Site Oficial do Governo Brasileiro (www.brasil.gov.br)

Matas de Araucária
Matas de Cocais
Cerrado

Pantanal

Caatinga
Campos
Restingas

Mangues

Floresta Amazônica

por Vera Imperatriz Fonseca e Francis Dov Por

recupera a navegação

A maioria dos 7 milhões de km2 da Floresta Amazônica é constituída por uma floresta de terra firme. Esta é uma floresta que nunca é alagada e se espalha sobre uma grande planície de até 130-200 metros de altitude, até os sopés das montanhas. A grande planície corresponde aos sedimentos deixados pelo lago "Belterra", que ocupou a maior parte da bacia Amazônica durante o Mioceno e o Plioceno, entre 25 mil e 1,8 milhão de anos atrás. O silte e as argilas depositados neste antigo lago foram submetidos a um suave movimento de elevação epirogenético, enquanto os Andes se ergueram e os modernos rios começaram a cavar os seus leitos. Assim surgiram os três tipos de florestas amazônicas: as florestas montanhosas Andinas, as florestas de terra firme e as florestas fluviais alagadas, as duas últimas na Amazônia brasileira.

As flutuações climáticas do Pleistoceno se manifestaram numa sucessão repetida de climas frio-seco - quente-úmido - quente-seco. A última fase fria-seca data de 18 mil a 12 mil anos atrás, quando o clima da Amazônia era semi-árido, com temperatura média rebaixada por até 5ºC. Em seguida, houve o retorno do clima quente-úmido, que chega ao máximo em torno de 7 mil anos atrás. Desde então, e com várias oscilações de menor porte, vivemos um clima relativamente quente-seco.

Muito importante foi o fato de que durante as fases semi-áridas, a grande floresta de terra firme se encontrava dividida e fragmentada por formações vegetais abertas, do tipo cerrados, caatingas e campinaranas, todas melhor adaptadas ao clima seco. A floresta sobrevivia em "refúgios", situados nas áreas de solos mais altos e com melhor abastecimento hídrico. Ao voltar o clima mais úmido, a floresta expandiu-se novamente, em detrimento da vegetação dos cerrados. Hoje em dia, o cerrado sobrevive em seus próprios "refúgios", dentro da imensidade das matas de terra firme. Este processo flutuante vai se repetir sem dúvida, a não ser que o homem interfira na situação.

A floresta de terra firme tem inúmeras adaptações à pobreza em nutrientes dos seus solos argilosos e podzólicos. As árvores que a compõem são capazes de se abastecer com nitratos através de bactérias fixadoras de nitrogênio, que estão ligadas às suas raízes. Além disso, uma grande variedade de fungos também simbiontes das raízes, chamados micorrizas, reciclam rapidamente o material orgânico antes deste ser lixiviado. A serrapilheira (formada por folhas e outros detritos vegetais que caem ao solo) é reciclada rapidamente pela fauna rica de insetos, especialmente besouros, formigas e cupins. Os insetos constituem a maioria da biomassa animal na floresta de terra firme.

Esta floresta, especialmente rica em aráceas epífitas, é, comparada à Mata Atlântica, relativamente pobre em bromélias e orquídeas. Entre estas plantas epífitas estão as mirmecófitas, plantas que vivem em estreita simbiose com as formigas. No sub-bosque da floresta destacam-se especialmente as palmeiras e os cipós. As grandes samambaias são raras.

A macrofauna do chão da floresta é relativamente pobre. Os vários sapos e pererecas ali encontrados apresentam diversas adaptações para garantir a água necessária para o desenvolvimento dos girinos. Alguns grandes mamíferos, tais como as antas, o cateto e a queixada, assim como os mutuns e os inhambus, entre as aves do chão, merecem destaque. Perto do chão da floresta encontram-se também muitas aves "papa-formigas", que tiram proveito das enormes migrações de formigas de correição.

A grande diversidade animal encontra-se nas copas das árvores entre 30 e 50 metros de altura, um ambiente de difícil acesso para o pesquisador. Ali é rica a fauna de aves, como papagaios, tucanos e pica-paus. Especialmente vistosos são o pavãozinho do Pará e a cigana. Entre os mamíferos das copas predominam os marsupiais, os morcegos, os roedores e os macacos. Os primatas possuem nichos bem diferenciados. O bugio é diurno e se alimenta de preferência com folhas. O macaco da noite Aotus é o único macaco ativo durante a noite. Os sauins, insetívoros vorazes, possuem várias espécies e subespécies que se diferenciam pelo colorido e forma das faces. Ao lado dos polinizadores clássicos - abelhas, borboletas e aves - os macacos da Floresta Amazônica têm também um papel de destaque como polinizadores. As aves, os morcegos e os macacos frugívoros da mata de terra firme têm um importante papel de disseminar os frutos e sementes das árvores.

As espécies e subespécies de macacos, preguiças, esquilos e outras são freqüentemente separadas pelos grandes rios tributários do rio Amazonas. As unidades biogeográficas formadas pelas bacias destes rios explicam em parte a grande bioversidade da biota amazônica. Além disso, podemos sobressaltar áreas de floresta que serviram de refúgio às várias populações diferenciadas durante os períodos de clima árido do passado, acima mencionados, quando grandes áreas de cerrado fragmentavam a Floresta Amazônica. Hoje em dia, o desmatamento descontrolado está fragmentando a floresta de terra firme. Sem os cuidados necessários, províncias faunísticas inteiras e antigos centros de especiação correm o risco de serem obliterados para sempre.

As florestas alagadas estão ao alcance das enchentes anuais do rio Amazonas e de seus tributários mais próximos. As flutuações do nível da água podem chegar a 10 metros ou mais. De março a setembro, grandes trechos de floresta ribeirinha são alagados. As plantas e os animais da floresta alagada amazônica vivem em função das suas diversas adaptações especiais para sobreviver durante as enchentes.

As águas amazônicas possuem características diferentes, resultantes da geologia das suas bacias fluviais. Os rios chamados de rios de água branca ou turva, como o Solimões ou o Madeira, percorrem terras ricas em minerais e suspensões orgânicas. Os rios chamados de água preta, como o Negro, oriundos de terras arenosas pobres em minerais, são transparentes e coloridos em marrom pelas substâncias húmicas. Existem também rios de águas claras, como o Tapajós, que nascem nas áreas dos antigos escudos continentais, também pobres em minerais e nutrientes.

As matas banhadas pelas águas brancas costumam ser chamadas de florestas de várzea e as banhadas pelas águas pretas e claras, de florestas de igapós. A vegetação da várzea é muito mais rica do que a vegetação dos igapós, por causa da fertilidade das águas brancas e dos solos aluvionais por elas trazidos. O mesmo se constata com a fauna dos dois tipos de florestas, especialmente com a biota aquática. Os rios de água branca são ricos em peixes, enquanto os rios de água preta são "rios da fome". As áreas onde os dois tipos de águas se misturam, como a área perto de Manaus, são consideradas especialmente ricas.

As árvores das matas alagadas têm várias adaptações morfológicas e fisiológicas para viverem parcialmente submersas, como raízes respiratórias e sapopembas. As árvores são pobres em plantas epífitas e o sub-bosque praticamente inexiste. Em seu lugar existe uma rica flora herbácea, como o capim-mori, a canarana e o arroz selvagem. Na estação das enchentes, o capim se destaca e forma verdadeiras ilhas flutuantes. Outras plantas flutuantes, tais como a vitória-régia e o aguapé, também acompanham o nível das águas.

Os mamíferos das matas alagadas - antas, capivaras e outros - são todos bons nadadores. Até as preguiças são capazes de nadar. A fauna de macacos e de outros mamíferos arborícolas em geral é pobre, comparada com a fauna da terra firme. Nos rios de várzea encontram-se, porém, várias espécies de mamíferos aquáticos, como os botos, o peixe boi, a ariranha e as lontras. A fauna de primatas é muito reduzida. O vegetariano peixe boi e os botos predadores são, entretanto, muito raros nas águas pretas e claras dos igapós, pobres em vegetação aquática e pouco piscosas.

Na avifauna relativamente pobre das florestas de igapós predominam as aves aquáticas, tais como as garças, biguás, jaçanãs, mucurungos e patos.

As águas das florestas alagadas são ricas em répteis aquáticos. As tartarugas são importantes herbívoros da vegetação aquática e são muito caçadas. A tartaruga verdadeira (Podocnemis expansa) está em perigo de extinção; a cabeçuda (P. dumeriliana) e a tracajá (P.unifilis) são também muito apreciadas pelos caçadores. Os cágados Phrynops são encontrados com mais freqüência nas corredeiras. Entre os jacarés, o jacaretinga (Palaeosuchus trigonatus), gênero com uma única espécie endêmica na Amazônia, está ameaçado de extinção. O jacaré-açu (Melanosuchus niger) é o jacaré comum na área. Vários autores atribuem aos jacarés predadores um importante papel de "reguladores" na várzea. A grande jibóia amazônica merece também ser mencionada.

Na Amazônia vivem em torno de 10 mil espécies de peixes. Aqui, mencionamos apenas algumas espécies ligadas à floresta de inundação. São estas os peixes frugívoros que evoluíram em estreita co-evolução com as árvores e arbustos amazônicos: as frutas caem na água, são engolidas pelos peixes e as sementes resistentes às enzimas gástricas são transportadas para longe. Vários peixes, especialmente os da grande ordem dos Characinoidea, apresentam dentições especializadas para certos tipos de frutas. O tambaqui (Collosoma macropomum) é um comedor especialista das frutas da Hevea spruceana. Pacus, dos gêneros Mylossoma, Myleus e Broco, são também comedores importantes de frutas de palmeiras, embaúbas e outras árvores. A piranheira é uma planta preferida por algumas espécies de piranhas. A dispersão das plantas pelos peixes da várzea e dos igapós tem uma importância comparável à da dispersão clássica de sementes pelas aves e mamíferos nas florestas de terra firme. O tambaqui e os pacus, bem como o pirarucu (Arapaima gigas), são os peixes de maior importância comercial na Amazônia. Nada ilustra melhor o papel ecológico importante da frugivoria dos peixes. O tambaqui é muito procurado por pescadores turísticos.

Os peixes frugívoros constituem somente um dos tipos de peixes na várzea, mas o papel deles é particularmente importante nas águas pretas e claras. Devido à pobreza excessiva dessas águas em fito e zooplâncton, são as árvores que fornecem a maioria dos alimentos. Mesmo assim, os peixes do rio Negro são de tamanhos menores do que os seus coespecíficos no rio Solimões. Os cardumes também são menores.

A fauna de insetos é principalmente ligada à vegetação flutuante. As poucas espécies de cupins e de formigas acompanham a subida e a descida das águas ao longo dos troncos das árvores. Vários tipos de insetos vivem sobre a vegetação flutuante, enquanto nas águas criam-se enormes populações de mosquitos e outros dipterros irritantes. Os rios de água preta são isentos deste flagelo.

As matas alagadas contêm várias espécies de árvores de utilidade econômica, além de madeiras de lei. A seringueira, a sorva, a andiouba, a macaranduba, o buriti e o tiucum produzem borracha, alimentos, óleos, resinas e fibras de importância econômica. As várzeas são especialmente ricas e produtivas. Ali se encontravam as grandes concentrações indígenas e atualmente são desenvolvidos grandes projetos agro-pecuários e industriais.

Específicas dos igapós de solos arenosos e de água preta são a piranheira (Piranhea trifoliata), a oeirana (Alchornea castaniifolia), várias espécies de Inga e de Eugenia, as palmeiras Copaifera martii (copaíba) e a Leopoldinia. Algumas árvores têm grande resistência às enchentes prolongadas, tais como a Myrciaria dubia, a Eugenia inundata (araçá de igapó) e, finalmente, a Salix humboldtiana, que sobrevivem a vários anos de submersão permanente.

Muitas espécies da várzea estão ameaçadas de extinção devido ao rápido desenvolvimento das áreas urbanas, da construção de represas, da poluição com o mercúrio dos garimpos etc. A caça e a pesca desregulada na várzea já colocaram em risco a existência de vários vertebrados aquáticos de grande porte. A lista das espécies em extinção é encabeçada pelos botos, peixe boi, ariranha, tartaruga verdadeira, jacaretinga e outros. Entre os peixes ameaçados destacamos o pirarucu, o maior peixe de água doce do mundo.

A alta produtividade da várzea possibilitou uma povoação indígena densa à época da descoberta. As margens do grande rio abrigaram muitas aldeias com milhares de habitantes. A densidade populacional alcançava 14,6 pessoas por quilômetro quadrado. Os ribeirinhos cultivavam milho e mandioca no rico solo aluvional, coletavam arroz selvagem e usufruíam de pesca rica. Estes índios tinham uma organização de classes sociais e utilizavam trabalho de escravos.

Os rios de água preta, pelo contrário, considerados "rios de fome", foram historicamente pouco habitados. Porém, pela falta de dípteros molestadores, como mosquitos, borrachudos e mutucas, os novos colonizadores preferiam morar nas margens dos rios de água preta. Por um curto período, a capital da região foi para Barcelos, no médio rio Negro, mas mudou rapidamente para Manaus, perto da várzea rica em peixes. Ainda é preciso considerar que os solos férteis na Amazônia são os solos de várzea, justamente onde os grandes centros urbanos tendem a se localizar, junto com as suas bases de abastecimento.

Uma estação ecológica está situada por inteiro no ambiente dos igapós: é a Estação Ecológica Federal do arquipélago de Anavilhanas, no baixo rio Negro. Nas enchentes, o arquipélago de centenas de ilhas é praticamente submerso. O laboratório de pesquisa da Estação fica em casas flutuantes que acompanham também o nível das águas. Uma outra estação, Mamirauá, está situada na várzea, perto de Tefé. O grande centro de pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus, e o Museu Goeldi, em Belém, mantêm várias reservas e áreas de pesquisa nas matas de terra firme. Em Santarém encontra-se um grande centro de pesquisas piscívoras.

Fonte: www.jornaldaciencia.org.br


Notícias - Terça-Feira, 31 de agosto de 2004

 JC e-mail 2566, de 19 de Julho de 2004.

 Ennio Candotti pede moratória para desflorestamento da Amazônia e propõe uma trégua com os empresários envolvidos com o desmatamento

Na abertura da 56a Reunião Anual da SBPC, o presidente da entidade disse: ‘Devemos usar o conhecimento para construir um país digno, onde haja lugar para boi pastar e a soja florir sem que para isso seja necessário derrubar a floresta e contar histórias para boi dormir.’

Eis a íntegra do discurso de Ennio Candotti, pronunciado na sessão solene de abertura da Reunião Anual da SBPC, no Teatro da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT):

‘Abrindo o Rikbak encontro uma criança. Pergunto para que serve, para que servirá?

O que a vida lhe reserva, sofrimento e miséria, coragem, solidariedade, saber?

Com ela, no mesmo Rikbak, encontro maldade, inveja, mentira, e todas as misérias humanas que ela encontrará em seu caminho.

Vejo também um mundo em conflito. Vejo a guerra que os poderosos travam para preservar as misérias. O lucro e a propriedade ocupam nesse berço muito mais espaço que a solidariedade e os direitos humanos.

Vejo queimadas e terras devastadas. Alguns níqueis, árvores cortadas e muito boi pastando e um punhado de grãos misturados com pequenas moedas.

A criança chora. Como se ela já soubesse o que lhe espera.

As queimadas e a devastação são de sua terra.

Vislumbres sombrios de uma guerra. De seres humanos contra seres humanos. Em busca selvagem por um pouco de sol. Algum alimento. Riqueza de uns, pobreza de muitos.

Se estamos aqui reunidos na SBPC, na Universidade, é porque conhecemos essa história e não queremos que ela aconteça. Que esta criança possa escrever outra. Viemos aqui para isso. Um compromisso de ação e solidariedade nos une.

Para agir precisamos de uma bússola, alguns princípios e algumas imagens, para ter certeza que estamos falando, perguntando, discutindo a mesma coisa.

Imagens da Devastação.

E da nossa Constituição (dos princípios da ação coletiva) :

‘A floresta Amazônica, o Pantanal Matogrossense, a Mata Atlântica são patrimônio Nacional e sua utilização far-se-á na forma da lei. Dentro das condições que assegurem a preservação do meio ambiente.

Preservar os processos ecológicos essenciais, espécies e ecossistemas, preservar a integridade do patrimônio genético,

Aquele que degradar o meio ambiente fica obrigado a recuperar o meio ambiente

São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados por ações discriminatórias necessárias à proteção dos ecossistemas naturais.’

Derrubamos uma ditadura para escrever essa Constituição, entregamos aos nossos filhos um papel estampado. Alguma coisa está errada.

25 000 Km2 de floresta Amazônica são derrubados a cada ano.

1/5 da floresta já foi derrubada.

Esta é a guerra.

Pra quê? Para boi pastar e plantar soja.

Se os bois e a soja ganharem, a vida civilizada nessas terras será impossível. Tem por que chorar a criança do Rikbak.

É uma guerra nossa. O mundo observa, aguardando o desfecho. Temo que se o boi ganhar, ele vai invadir o campo. Voraz com jeito e cor de indignado.

Trava-se aqui no Mato Grosso uma batalha de vida ou de morte para a nossa civilização:

Não podemos perdê-la.

Não se trata apenas de defender a Constituição e com ela o direito de construir nossa própria história, mas também de construí-la com a caneta que a ciência e o conhecimento nos oferecem.

É de Manoel de Barros, o vosso e nosso poeta, o verso:

‘Para apalpar as intimidades do mundo é preciso saber:
Que o esplendor da manhã não se abre com faca’

Sem poesia e ciência não há esperança, e estas, havia esquecido de contar, estão também lá no fundo do Rikbak.

A floresta amazônica é o grande laboratório científico da nossa civilização. Queimá-lo é queimar a nossa memória e o nosso futuro. Lá estão os segredos da vida e a memória da história natural. As culturas que lá vivem conhecem segredos que os antepassados lhe legaram.

Na sociedade do conhecimento, todos os povos gostariam de ter um laboratório desses, uma floresta em pé. Como vive, de onde extrai seu alimento, como partilha a energia que recebe?

Todos gostariam de entender como a seiva chega até o topo das árvores. Ninguém sabe.

Os prédios altos precisam de bombas para levar a água até o teto. As árvores, também muito altas, não têm bombas e levam a água até o seu teto.

Derrubar a floresta para boi pastar!

Boi dá dinheiro! A madeira se vende na esquina! Com isso posso alimentar a criança que tem fome. Diz o pragmático. Perguntamos: quantas crianças passarão fome quando estas terras degradadas se vingarem e se recusarem a produzir qualquer coisa?

Há uma diferença entre um porrete e uma alavanca. É o ponto de apoio. Com o porrete posso ferir, com a alavanca levantar um grande peso.

A ciência e o conhecimento servem para levantar pesos e não para ameaçar escravos para que levantem pesos, sem alavancas...

Anos atrás diziam que a soja rendia pouco por hectare. Multiplicamos por três a produtividade da soja nos últimos vinte anos.

Diziam que não saberíamos extrair petróleo em águas profundas, extraímos o petróleo.

Afirmamos agora que podemos extrair da Floresta grandes riquezas, sem destruí-la.

Precisamos de tempo e pedimos que não seja destruída. Procuramos o entendimento.

Mas não confundam os inimigos nossos modos civilizados. Estamos dispostos a combater com armas contundentes em defesa da floresta e seus laboratórios naturais.

É intolerável, seria grave omissão, calar diante do triunfo da ignorância. Derrubar a floresta para que bois e soja possam pastar.

Contamos com aliados poderosos.

O Governo nomeou uma Comissão Interministerial para tratar da questão do desmatamento.

O Governo do Mato Grosso criou um rigoroso Sistema de Licenciamento Ambiental.

Das 45 mil propriedades com mais de 300 ha, cerca de 6000 estão cadastradas e operam, plantam e desmatam com as devidas licenças. Quarenta mil não. Noventa por cento das queimadas ocorrem em propriedades não controladas pelo Sistema. Que não é tão rigoroso assim.

É uma batalha difícil, levará algum tempo. Oferecemos nossas melhores forças para contribuir no esforço de colocar ordem na casa. Cobraremos resultados também como o mesmo rigor e determinação.

Afinal não é apenas a Constituição que está em jogo mas também o futuro do Estado.

O Parque do Xingu e o Pantanal, símbolos do estado, correm perigo de devastação. Ao destruir as matas ciliares compromete as cabeceiras dos rios. O parque do Xingu está ameaçado pelo desmatamento que ocorre ao norte de Matogrosso entre a Br 163 e a Br 158.

O próprio Pantanal sofre progressivo assoreamento devido ao desmatamento nas cabeceiras dos rios que o alimentam.

Perguntamos se a Comissão Interministerial utilizou todas as armas a seu dispor nessa guerra. Temos notícia que o crédito agrícola oferecido pelo Governo não está sempre vinculado às necessárias licenças para desmatar. Incentiva-se a pecuária e o plantio de soja sem pensar em alternativas para a ocupação dos solos.

Pesquisadores da Embrapa sugerem a utilização de áreas degradadas convenientemente tratadas para plantio e criação de gado. Dizem estudos que é possível dobrar a produção de grãos e bois sem derrubar nenhuma árvore. É claro a criação de gado pode ser feita em pastos menores utilizando alimentos que a tecnologia moderna sabe produzir.

Oferecemos idéias como essas, e temos muitas outras em nossos laboratórios, em troca de uma trégua nessa guerra.

Para negociar essa trégua gostaríamos de contar com o Governador Blairo Maggi e com o Ministro Eduardo Campos e não temos dúvidas de que a Ministra Marina Silva colaborará. Vamos juntos promover um encontro entre produtores de gado e soja e a comunidade científica e colocar na mesa de negociações uma moratória na derrubada da floresta.

Vamos reduzir o desmatamento a zero. Vamos encontrar alternativas para o desenvolvimento econômico da região. Vamos buscar juntos as idéias e o dinheiro necessários para alcançar esse objetivo antes que a velhice adormeça a esperança da criança do nosso Rikbak.

De nossa parte, levaremos para a mesa de negociações o que temos de mais precioso: a generosidade dos jovens brasileiros, nossos alunos das escolas e das universidades, que entendem a fronteira, essa do desmatamento, como uma fronteira do conhecimento. Um conhecimento que deve promover a solidariedade e não a discórdia. Entre nós e com a natureza em que vivemos.

Os jovens são generosos e radicais em seus ideais. Não perdoam conversas para boi pastar.

Tempos atrás, apresentei ao Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e ao Senhor Presidente da República proposta de converter 1/3 da dívida do Governo com a comunidade científica, que hoje soma cerca de 3 bilhões de reais, em um programa de bolsas para a formação de pesquisadores e técnicos especializados em questões de ciência e tecnologia próprias da floresta amazônica.

Calculei que assim o Governo poderia pagar essa dívida em suaves prestações de 15 milhões por mês. Sem juros adicionais. Condições muito mais civilizadas do que as impostas pelo FMI.

Com esses recursos, poderíamos custear a formação em seis anos de cinco mil engenheiros, sanitaristas, botânicos, agrônomos, antropólogos e fixar já na região mil pesquisadores e especialistas de sólida formação que colaborem com os que aqui já se encontram.

Seria um bom começo. Concreto.

E também a Constituição ficaria contente afinal ela determina (Cap.V):

‘O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológica.

A pesquisa básica receberá tratamento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público e o progresso das ciências.

E mais,

O Estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência pesquisa e tecnologia e concederá aos que delas se ocupem meios e condições especiais de trabalho’.

Mas teria também trabalho para a nossa universidade e seus estudantes, se está claro o desafio de nosso tempo, vencer esta batalha. Encontrar um substituto para o boi e a soja, vantajosos para a economia e para a ciência.

Mostrar que uma árvore em pé vale mais do que uma árvore deitada, como dizem os meus alunos. Vamos redesenhar a nossa universidade. Estamos em tempos de reforma, porque não ousar pensar em uma nova universidade onde esse grande desafio do nosso tempo possa encontrar resposta que atenda aos imperativos do desenvolvimento e do conhecimento!

As comissões que estão reunindo as idéias que surgem dos debates realizados em todo o país, verificaram que esta aspiração une a todos.

Antes de pensar em modos de gestão, em avaliações e vestibulares, vamos pensar onde queremos chegar, como formar em tempos de cólera cidadãos capazes de usar o conhecimento para construir um país digno, onde haja também lugar para boi pastar e a soja florir sem que para isso seja necessário derrubar a floresta e contar histórias para boi dormir.

Aliás, devemos, sim, contar histórias, mas para embalar a criança que ainda dorme no nosso Rikbak, pelo menos enquanto os males dele saírem e a esperança lá permanecer.

 

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